E lá fomos nós comemorar! A idéia era almoçar fora. Sabe o almoço de domingo? Era o que eu queria.
Recriar momentos em outro país, de outra cultura, pode ser extremamente difícil, no meu caso, impossível. Esquece. Nem mesmo a churrascaria Fogo de Chão, uma cadeia brasileira, abre aos domingos para o almoço aqui no Arizona.
Planos por água a baixo a única esperança agora é a esperada família, que deve vir em novembro e dezembro.
Existem coisas maravilhosas aqui no Arizona, aqui nos Estados Unidos. Sei disso, reconheço, gosto e admiro. Acontece que sinto falta de ir a um restaurante aos domingos pra almoçar, comer devagar e apreciar o dia como se não houvesse fim.
O fato é que morro de saudades do Brasil. Simples assim!
Como se não bastasse a falta de informação sobre o Brasil, ainda tem alguém mundo afora reforçando que o idioma falado no país é o Espanhol.
Outro dia foi o personagem da atriz Penolope Cruz num filme pra lá de bobo. Uma brasileira. Sim, claro! Apenas um exemplo entre tantas outras produções americanas por aí que eu já assisti do lado de cá, em que algum ator ou atriz hispânica representa um brasileiro sem sequer falar Português!
Mas o pior mesmo foi ontem. Animadamente, o senhor meu marido me chama para assistir o que ele pensava ser um filme brasileiro na HBO. Descobri hoje fuçando na web que Alice foi uma série produzida pela HBO Brasil, mas não achei o link para a página da produção.
O fato é que assistimos ao "filme" todo em Espanhol. A história brasileira, se passa no Brasil, com personagens brasileiros, atores e atrizes brasileiros, e eu tive de ler as legendas em Inglês e escutar os diálogos em Espanhol.
A caminho da Copa do Mundo no ano vem, a África do Sul enfrenta agora o maior dilema de todos. Banir ou não o uso das cornetas nos estádios de futebol.
O jogo de logo mais entre Brasil e Estados Unidos encerra a Copa das Confederações, mas nem de perto chama a atenção que a controvérsia em torno da corneta. Entre os blogs da África do Sul, esse assunto parece ter tomado conta das discussões, segundo o jornal Los Angeles Times de hoje.
Não consigo imaginar um jogo de futebol sem as tais cornetas de plástico entoando aquele barulho infernal. Mas foi engraçado quando li a reportagem hoje e lembrei imediatamente do comentário do senhor meu marido há alguns dias. Assistíamos ao jogo de Brasil e África do Sul e lá pelas tantas ele me perguntou que barulheira era aquela, se aquilo não parava nunca. É, talvez um dia!
Foi ao ar no programa Dateline, da rede NBC, neste domingo, uma reportagem sobre o caso do menino Sean. Na verdade, o programa apresentou apenas uma versão dos fatos, claro.
Desconheço os detalhes, até mesmo os mais gerais sobre o assunto, mas assistir em horário nobre de televisão, no domingo de noite, que o Brasil merece "pagar" pelo o que está fazendo, é um pouco demais pra mim.
Torço para que o Supremo Tribunal Federal e as autoridades jurídicas que analisam o caso, o resolvam da maneira mais correta, se é que é possível. Lamento as posições radicais, que cegam e servem ao único propósito de disseminar raiva e divisão.
Filme, documentário - Ano 2007 - Diretor: Jason Kohn
Apresentado no Sundance Film Festival em 2007. Pra mim, até então desconhecido, foi uma surpresa assistir Manda Bala no Sundance Channel.
Entre entrevistas com o ex-procurador geral da república, Cláudio Fonteles, com o deputado federal Jader Barbalho (PMDB/PA), policiais, cirurgiões plásticos e sequestrados, o diretor apresenta um retrato da sociedade brasileira, o que inclui o caso de corrupção da Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) e a indústria de sequestros em São Paulo.
São imagens de violência e corrupção, da vida do pobre e do rico, onde uns usam helicópteros e carros blindados e um sequestrador se diz ser nada mais que um político qualquer.
Hoje o jornal New York Times trás uma reportagem sobre o Brasil. O caso da menina de nove anos, o abuso sexual e o aborto. Uma sociedade que não quer enxergar, uma cultura ainda machista. A reportagem fala do Brasil.
Aliás, a semana aqui nos Estados Unidos foi do Brasil. Pelo menos pra mim.
A HBO exibiu o documentário "Eles mataram a irmã Dorothy". Eu ainda não havia assistido e fiquei muito perturbada com o comportamento dos advogados de defesa. Quanto cinismo. O filme mostra o mesmo Brasil que a matéria de hoje do NYT.
Um povo esquecido, negligenciado pelo Estado. Um governo inoperante, uma polícia corrupta, a podre política e uma justiça que não funciona. Esse ainda é o retrato do Brasil do lado de cá.
Além disso, os comprimidos de açaí não emagrecem coisa nenhuma. Lembra que publiquei aqui um post sobre isso? Amplamente divulgada, a pílula da "brazilian berry" deveria ajudar a perder peso. Na TV, o noticiário da noite trouxe uma reportagem negando os efeitos. Sério?
Quem é responsável por isso? O fato é que o Brasil é que fica com a ficha suja. É a "brazilian berry" que não funciona. A imagem do país mais uma vez arranhada. Com tanta publicidade negativa o Brasil nem precisa de inimigos.
Para completar, o presidente Lula diz que a crise econômica é culpa de brancos de olhos azuis. A declaração virou pauta de discussão entre comentaristas políticos nos telejornais e em programas de entrevistas. Se o objetivo era chamar a atenção. Conseguiu. O debate é válido. Mas a frase foi, no mínimo, infeliz.
Do lado de cá, como aí no Brasil, final de semana, feriado e dia santo é dia de festa. O que também significa muita cerveja, cachaça, vodka e assim por diante. O que muda é a tolerância. Quer dizer, se por um lado aqui no Arizona é permitido até 0.8 de álcool, ninguém pode consumir bebida alcoólica em público e a polícia é ainda mais severa e vigilante quando o assunto é beber e dirigir.
A operação de "final de ano" parou mais de duas mil pessoas nas ruas da cidade e prendeu 179. Além disso, multou 1.100 pessoas por ultrapassar a velocidade permitida ou não usar o cinto de segurança.
Diariamente leio um pouco das notícias do Brasil na internet. Como as daqui dos Estados Unidos. Reparo que nós brasileiros tendemos a criticar com mais veemência o nosso país, principalmente comparando-o aos de primeiro mundo, como os EUA, por exemplo.
Li recentemente que soldados e voluntários roubaram doações que seguiriam para as famílias de Santa Catariana, atingidos pelas chuvas. Aqui nos Estados Unidos, milhares de doações que deveriam ter sido entregues às famílias atingidas pelo furacão Katrina, em Nova Orleans, desapareceram. Ninguém sabe ninguém viu. O mesmo foi reportado no caso recente do Texas e até mesmo agora, em época de Natal, centenas de milhares de doações para instituições que ajudam famílias carentes, foram roubadas.
O governador corrupto de Illinois continua no exercício do mandato, podendo mandar e desmandar, mesmo após o escândalo ter vindo a tona. Esta semana vimos o esquema de 50 bilhões de dólares do americano da bolsa de valores, Bernard Maddoff.
O que quero dizer é que do lado de cá, como em todo país do mundo, também há corrupção. Seja na política, no setor financeiro, na saúde ou educação. Existem também os que roubam até dos que não tem.
Dadas as diferenças, proporcionalmente, percebo que as semelhanças são inúmeras.
As câmeras e radares de limite de velocidade, vigilantes das ruas e estradas aqui no Arizona, já arrecadaram US$ 6.6 milhões com mais de 40 mil multas emitidas no estado em apenas dois meses de funcionamento.
Vinte delas são fixas e quarenta móveis, totalizando 60 câmeras espalhadas pelo Vale. A expectativa é que até fevereiro do ano vem mais 40 sejam instaladas. As velhas conhecidas de muitos de nós brasileiros é uma novidade do lado de cá. Somente em setembro passado passaram a ser instaladas aqui no Arizona e, como no Brasil, causam muita polêmica.
O motorista flagrado acima da velocidade limite por aqui tem de desembolsar US$ 165 da multa e mais aproximadamente US$ 20 de taxas. Não é a toa que o sistema aqui também é conhecido como a "indústria da multa". É uma pequena fortuna, praticamente R$ 462,00 por multa, se multiplicarmos o dólar por 2.5 como na última cotação de ontem de noite. Imagina isso vezes os mais de 40 mil multados.
E tem gente com muita raiva. Ontem, em uma cidade vizinha, um cidadão irado atacou uma dessas câmeras com um machado. O rapaz, de 26 anos, está preso e pode pegar até quatro anos de prisão.
Se levarmos em conta que os índices de mortalidade infantil são considerados os mais importantes para medir a saúde de uma nação e significativos indicadores para apontar os avanços sociais de um país, pode-se dizer que os Estados Unidos estão na contramão do mundo.
Ao contrário do Brasil, onde a taxa foi reduzida praticamente pela metade na última década, a daqui é a mesma há seis anos. Um relatório divulgado semana passada pelo governo americano mostra índices de mortalidade infantil 50% mais altos do que os da meta nacional e coloca o país em vigésimo nono lugar no quesito. Vinte e oito países mundo afora têm taxas de mortalidade infantil menor e estão em melhor situação do que a do lado de cá.
Como no Brasil, a taxa de mortalidade mais alta está entre os mais pobres. Ao contrário do Brasil, aqui não existe assistência médica pública e gratuita. Mais de 40 milhões de americanos não têm plano de saúde. Mesmo os que têm, pagam uma fortuna por ele.
No meu caso, por exemplo, tenho seguro por intermédio do meu marido, do trabalho dele, mesmo assim, pagamos mensalmente a bagatela de US$ 432.00. Além disso, cada vez que vou a uma consulta médica pago mais 30 dólares.
Aí no Brasil, meu plano de saúde custava R$ 286,00 por mês e eu não pagava mais nada para ir a ao médico, que, aliás, eu podia escolher a especialidade da minha necessidade. Aqui, vou primeiro ao meu médico, um clínico geral, e, ele, se decidir que é o melhor a fazer, indica um especialista. Ou seja, eu não posso por conta própria decidir se devo ou não ter uma consulta com um reumatologista, dermatologista, gastro e assim por diante.
Eu sei que o Brasil ainda tem um longo caminho, mas talvez esteja mostrando que está no caminho certo. Aqui, o capitalismo americano só tem demonstrado que está decadente.
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