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O Brasil que vejo por aqui

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Hoje o jornal New York Times trás uma reportagem sobre o Brasil. O caso da menina de nove anos, o abuso sexual e o aborto. Uma sociedade que não quer enxergar, uma cultura ainda machista. A reportagem fala do Brasil.

Aliás, a semana aqui nos Estados Unidos foi do Brasil. Pelo menos pra mim.

A HBO exibiu o documentário "Eles mataram a irmã Dorothy". Eu ainda não havia assistido e fiquei muito perturbada com o comportamento dos advogados de defesa. Quanto cinismo. O filme mostra o mesmo Brasil que a matéria de hoje do NYT.

Um povo esquecido, negligenciado pelo Estado. Um governo inoperante, uma polícia corrupta, a podre política e uma justiça que não funciona. Esse ainda é o retrato do Brasil do lado de cá.

Além disso, os comprimidos de açaí não emagrecem coisa nenhuma. Lembra que publiquei aqui um post sobre isso? Amplamente divulgada, a pílula da "brazilian berry" deveria ajudar a perder peso. Na TV, o noticiário da noite trouxe uma reportagem negando os efeitos. Sério?

Quem é responsável por isso? O fato é que o Brasil é que fica com a ficha suja. É a "brazilian berry" que não funciona. A imagem do país mais uma vez arranhada. Com tanta publicidade negativa o Brasil nem precisa de inimigos.

Para completar, o presidente Lula diz que a crise econômica é culpa de brancos de olhos azuis. A declaração virou pauta de discussão entre comentaristas políticos nos telejornais e em programas de entrevistas. Se o objetivo era chamar a atenção. Conseguiu. O debate é válido. Mas a frase foi, no mínimo, infeliz.

Aborto

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Assunto polêmico tanto aí no Brasil quanto aqui nos Estados Unidos, o aborto, que apesar de ser permitido legalmente do lado de cá, passa a ter uma nova lei no Arizona.

Os legisladores do estado, que parecem caminhar em direção a proibição, aprovaram ontem uma série de restrições à prática.

Com maioria republicana, o legislativo não teve dificuldades em aprovar a lei que, entre outras medidas, prevê um período obrigatório de espera de 24 horas antes de o aborto ser realizado. Garante ainda ao farmacista, o direito de se recusar a vender contraceptivos de emergência se o ato ferir seus valores morais.

De acordo com os registros do Departamento de Saúde do Arizona, 10.486 mulheres fizeram aborto em 2007.

O que muda nos estados americanos...

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Nestas eleições gerais aqui nos Estados Unidos, os estados americanos votaram também em alguns temas polêmicos, que alteram as suas constituições.

Na Flórida, no Arizona e na Califórnia, eleitores decidiram que só é permitido casamento entre um homem e uma mulher. O que sou absolutamente contra. Acredito em direitos iguais. Homem com homem e mulher com mulher, todos têm o direito de casar.

No estado da Califórnia a emenda vem meses depois do judiciário do estado legalizar casamentos gays. E agora não se sabe exatamente como ficará a situação de aproximadamente 18 mil casais que já casaram naquele estado.

Ainda pior foi a emenda aprovada no estado de Arkansas, onde os eleitores decidiram que por lá não será permitido que casais "não casados" adotem crianças. A emenda na verdade tinha como foco proibir pessoas gays de adotar crianças no estado. Claro, porque entre os heterossexuais não há molestadores ou estupradores, por exemplo. As famílias com casais de sexos diferentes são perfeitas. E, afinal, as crianças devem estar muito melhor nos orfanatos da vida, naquelas instituições estaduais perfeitas e maravilhosas.

Enquanto a causa gay perdeu país afora, o aborto se mantém forte e continua um direito defendido por todos os lados. Estados como Colorado e Dakota do Sul votaram contra emendas que buscavam limitar a permissão do aborto para somente em alguns casos.

No estado de Washington agora é permitido que um paciente em estado terminal tenha a opção de escolher pela morte assistida, o que eles chamam de "Morte com Dignidade". Que é quando o cidadão aplica em si mesmo uma dose letal de um medicamento prescrito por um médico. Antes a prática só era permitida no estado do Óregon.

Uns perdem outros ganham. É sempre assim. O movimento a favor do uso da maconha saiu ontem das urnas ganhador. O estado de Massacusetts decidiu descriminalizar o uso da maconha em pequenas quantidades. Por lá, se a pessoa estiver com 1 ounce (28 gramas) ou menos, não será processada criminalmente. A polícia apreenderá a maconha e o cidadão terá de pagar uma multa de US$100,00.

Em Michigan, os pacientes crônicos poderão comprar e ter produção própria de maconha. A permissão do uso médico da maconha já existe em 12 outros estados americanos.

Além das emendas estaduais, as cidades também votaram em algumas medidas. Lá em San Diego, por exemplo, os eleitores decidiram proibir bebida alcoólica nas praias da cidade.

Bem, pelo menos agora, com todas essas alterações nas constituições, poderemos escolher melhor o estado e a cidade americana onde morar.