A previsão é de confusão. É que a partir de hoje aqui nos Estados Unidos as emissoras de televisão do país param de transmitir em sinal analógico.
A estimativa é de que pelo menos 1 milhão de lares ainda não estejam preparados e devam ficar sem conseguir assistir televisão.
Bem-vindos a era digital.
O tiroteio ontem no Museu do Holocausto, um dos lugares mais visitados por turistas em Washington D.C., reascendeu a discussão sobre os crimes de ódio nos Estados Unidos.
Um homem de 88 anos, que faz parte de grupos da supremacia branca, conspiração contra minorias e negros, entrou atirando no museu, acertando fatalmente um dos vigias.
Segundo relatório do FBI, em 2007, quase 10 mil pessoas foram vítimas de crimes cujo motivo foi o preconceito. Em todo o país, os crimes de discriminação racial, contra negros, são os de maior ocorrência, seguidos por religião, orientação sexual e etnia.
Aqui no Arizona, onde moro, com uma população de quase 40% de origem hispânica, é o preconceito étnico que assola o estado. Tenho muita dificuldade em entender os extremismos, os radicais e a deslealdade com que machucam pessoas, instituições e sociedades simplesmente por serem o que são.
Para algumas coisas deveria servir morar no Arizona. Sem esse papo de que é o estado do Grand Canyon. Eu sempre uso essa desculpa! Eu queria mesmo era poder marcar hora com a Allison DuBois.
A vidente de Medium, o programa, que no Brasil acho que é a Sony Entertainment Television que transmite, mora aqui em Phoenix. O show é baseado na vida real de Allison.
Pois bem, perdi minha chance. Ela não atende mais a população para fazer as leituras mediúnicas que a levaram a Hollywood.
Agora, a fama é tamanha que a vidente vive viajando país afora participando de conferências e concedendo palestras. Ah, e, claro, está em turnê para divulgar o seu novo livro. Até o marido, o engenheiro espacial, se aposentou e tem um blog.
Acordei assustada com a cachorra latindo sem parar. Valente, levantei pra ver o que estava acontecendo. Devagar, é claro, sou medrosa que só eu e estava sozinha em casa.
Da sala de televisão para o quintal tem uma porta de vidro. Cortinas fechadas. Mais devagar ainda abro só um pouco a lateral pra ver se consigo enxergar alguma coisa lá fora.
Sem entender o que eu via, fechei rapidamente a cortina e pulei pra trás. Um homem de binóculos, em pé na lateral de uma caminhonete branca, olhava a minha varanda! Paralisei por uns bons segundos e logo pensei em chamar a polícia.
Valente, resolvi sair e perguntar ao cidadão o que diachos ela fazia ao lado do muro do meu quintal espionando a minha casa.
O relógio! Ele é o "cara" que faz a leitura para a companhia de energia elétrica. Estrategicamente posicionado na parede atrás do bar na varanda da piscina, o medidor só pode ser visto de binóculos lá da ruela atrás da casa, por onde o tal do moço passa uma vez por mês fazendo a leitura de todas as casas da rua e a esperta aqui nunca tinha visto!
Foi ao ar no programa Dateline, da rede NBC, neste domingo, uma reportagem sobre o caso do menino Sean. Na verdade, o programa apresentou apenas uma versão dos fatos, claro.
Desconheço os detalhes, até mesmo os mais gerais sobre o assunto, mas assistir em horário nobre de televisão, no domingo de noite, que o Brasil merece "pagar" pelo o que está fazendo, é um pouco demais pra mim.
Torço para que o Supremo Tribunal Federal e as autoridades jurídicas que analisam o caso, o resolvam da maneira mais correta, se é que é possível. Lamento as posições radicais, que cegam e servem ao único propósito de disseminar raiva e divisão.
Se eu tivesse me apaixonado pela mulher da minha vida e ela fosse americana, como é o meu marido, eu não poderia me casar com ela e nem usar desse recurso para obter o direito de imigrar legalmente para os Estados Unidos.
Como sou mulher e casei com um homem, tenho o direito, primeiro de casar e depois, de acordo com a lei de imigração, de viver legalmente neste país.
Mas apesar de uns acharem que ainda estamos a anos luz de conseguir direitos iguais para todos os cidadãos, sem discriminação de raça, credo ou sexualidade, hoje pelo menos, alguns avanços devem ser comemorados.
O governador John Lynch, de New Hampshire, assinou ontem a lei aprovada pelo legislativo estadual que torna o estado o sexto no país a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Além disso, está prevista uma audiência na Comissão de Justiça do Congresso americano sobre alternativas na lei de imigração para atender processos de casais do mesmo sexo. Bem, engatinhando se começa a caminhar.
O presidente Barack Obama proclamou junho o mês do orgulho gay, Orgulho Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros (LGBT).
Segundo o release divulgado ontem pela Casa Branca, Obama defende os direitos iguais, é contra a discriminação e a favor do fim da política "Não pergunte, não diga" nas Forças Armadas americanas.
Abaixo um trecho original do texto da proclamação.
"NOW, THEREFORE, I, BARACK OBAMA, President of the United States of America, by virtue of the authority vested in me by the Constitution and laws of the United States, do hereby proclaim June 2009 as Lesbian, Gay, Bisexual, and Transgender Pride Month. I call upon the people of the United States to turn back discrimination and prejudice everywhere it exists.
IN WITNESS WHEREOF, I have hereunto set my hand this first day of June, in the year of our Lord two thousand nine, and of the Independence of the United States of America the two hundred and thirty-third. BARACK OBAMA"
Só lá pelas 10h00 da manhã horário daqui, umas 14h00 horário de Brasília, fiquei sabendo do desaparecimento do avião da Air France. Isso porque ainda mantenho o hábito de ler os sites brasileiros.
Nenhum canal ou site americano noticiava o fato até então.
Além da profunda tristeza com a notícia, veio também um sentimento de decepção com a imprensa local. No site do Washington Post quase não há destaque para o assunto.
Aqui nos Estados Unidos o mais importante continua sendo os Estados Unidos, ah, e claro, o Oriente Médio e às vezes a Ásia.
Ontem o presidente Barack Obama levou a esposa, a primeira-dama, Michele Obama à Broadway. Pegaram um jatinho em Washington e seguiram para Nova Iorque para curtir a noite. Jantar e show. Sensacional.
Como no Brasil, aqui também se crítica político por conta de gastos particulares com dinheiro público. A noitada de Obama é um desses casos onde a discussão rende.
Mas a minha dúvida e pergunta é: como dividir o público e o privado em situações como essa?
Uma daquelas lembranças da infância. Daquelas que você nunca esquece e pouco fala, mas quando aparece a oportunidade e você finalmente comenta, é como se estivesse vivendo tudo outra vez e já não consegue mais apagar.
Da rua lá de casa, os vizinhos são a lembrança predileta. Dona Salvina foi uma delas. Umas duas ou três casas à esquerda estava a dela. A deles, porque ela tinha família, marido e filhos. Mas Dona Salvina é que é a estrela do meu filme.
Já estava com cabelos brancos a Dona Salvina. Pra mim ela nasceu assim. Combinava com ela e com os coques que usava o tempo todo. Eu nem sei direito o por que, mas eu frequentava muito a casa da Dona Salvina.
Brava que só ela, me deixava ficar por ali por horas a fio. Às vezes na sala, muitas outras na cozinha. Lembro de a minha mãe ter ido me chamar na Dona Salvina algumas vezes. Era sempre um lugar pra me procurar se não soubesse exatamente onde eu estava.
Dona Salvina morreu. Morreu faz um bom tempo e há muitos, muitos anos eu não falava nela. Talvez por ter sido criada longe de avós, talvez porque ela me deixava comer o que cozinhava, talvez porque Dona Salvina tenha sido encantadora e generosa, mas principalmente porque suas mãos me abençoavam de alguma maneira e essa é uma daquelas lembranças de infância que não se esquece jamais.
A nomeação da primeira mulher hispânica para a Suprema Corte americana. Todos os canais, noticiários, twitts e afins só falam de Sonia Sotomayor aqui nos Estados Unidos.
A juíza nasceu nasceu e cresceu no Bronx, em Nova Iorque, quando sua família mudou-se de Porto Rico. Em seu discurso, Sonia lembrou que seu pai mal falava Inglês, que sua mãe tinha dois empregos para sustentar a família, após a morte do pai, e que nada mais é que uma mulher ordinária com oportunidades extraordinárias.
Sonia Sotomayor, considerada uma juíza de visões políticas moderadas, ainda tem de passar pela sabatina do Senado e pelas críticas dos conservadores.
Confesso que torcia pela nomeação da ex-governadora do Arizona, Janet Napolitano, atualmente Secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, que também faria história e seria a primeira mulher homossexual na Suprema Corte.
Feriadão. Na última segunda-feira de Maio os Estados Unidos homenageiam militares das forças armadas que morreram pelo país.
Um feriado difícil para esta brasileira aqui entender. Aliás, como tantos outros conceitos, costumes e rituais da cultura americana.
Hoje, as casas cidade afora tinham bandeiras americanas penduradas nas janelas ou nas portas. Uma forma de demonstrar o patriotismo neste dia. Em vários lugares houve desfile, meio que uma parada militar.
Para muitos, o Memorial Day representa também o início da temporada de verão aqui nos EUA e é um período festivo em que acontecem os tradicionais churrascos nos jardins das casas. Bem, aqui não fizemos churrasco ou barbecue, não assistimos a nenhum desfile e apesar do meu marido ser veterano da marinha americana, pouco se falou em serviço militar nesta casa.
De toda maneira, bom feriado!
Prostitutas em Vancouver, no Canadá, estão sendo treinadas em como lidar com a imprensa. A idéia é preparar as profissionais do sexo para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2010.
A instituição The Prostitution Alternatives Counselling and Education Society (PACE) comanda o treinamento, que abordará aspectos legais ao ser fotografado, conceder uma entrevista e assim por diante.
O Canadá já foi sede dos Jogos Olímpicos de Inverno em 1988.
Eu adoraria ouvir pessoalmente o presidente Barack Obama. Daqui a pouco ele estará aqui em Tempe. Fará o discurso de formatura da Arizona State University, a ASU.
Os jornais alertam: o evento no Sun Devil Stadium, ao ar livre de quase 40 graus centígrados, deverá receber 71 mil pessoas, que passarão pelo menos duas horas sendo revistadas pelo serviço secreto americano.
Recomenda-se não ir de carro. Ruas fechadas, estacionamentos praticamente impossíveis. O ideal é pegar o metrô e caminhar até o estádio, e logo cedo. Daqui a pouco.
Os portões do estádio serão abertos às 2h30. A previsão é que Barack Obama discurse às 7h52, precisamente. Até às 9h17 deverá estar tudo terminado.
É, eu adoraria ouvir o presidente Barack Obama. Aqui de casa!
Inventando uma nova palavra, a idéia é tentar descrever uma nova teoria, na verdade. A correlação primária e existencial da arrogância e da ignorância.
É quando nada mais faz sentido, porque você sabe mais do que todo mundo mais ou porque simplesmente não tem a capacidade para entender nada sobre o que eles falam.
Chegando a esse ponto você desiste de assistir o noticiário. Retratos grotescos de discriminação, ódio e banalização. Ora dos chineses com os mexicanos, ora dos americanos com os chineses. É um leva e trás sem fim e a sensação é de estar sendo levado ao buraco negro da humanidade.
É o caos. Se bem que essa é outra teoria. A da vez, pra mim, a do cúmulo da arrorância, esta é inexplicável, insustentável e praticamente insuportável.
O presidente Barak Obama e o vice-presidente Joe Biden almoçam juntos uma vez por semana. Normalmente na Casa Branca. Ontem resolveram dirigir até uma lanchonete chamada Ray's Hell Burger. Acompanhe o vídeo.
A pergunta que não quer calar. Será que algum dia deixarei de comparar Brasil x Estados Unidos? Parece impossível. O tempo todo me salta aos olhos, a carteira e o coração, as diferenças entre estes dois países onde eu vivi e vivo.
Esta semana estou pesquisando uma possível aquisição de um novo seguro médico. O que tenho é via o empregador do meu marido e é caríssimo. Mesmo. Estamos pagando quase U$ 500,00 por mês! Só pra mim.
O sistema é muito complexo para a minha pouca paciência e excesso de comparações com o plano de saúde que eu tinha no Brasil até o começo do ano passado, antes de mudar pra cá.
O negócio saúde é muito lucrativo e, aqui nos Estados Unidos, se tornou ao longo dos últimos anos uma verdadeira máquina de fazer dinheiro para as empresas seguradoras. Eu já havia morado aqui por seis anos, há 16 anos, e o sistema não era assim.
Além de pagar os quase 500 dólares por mês, ainda tenho de pagar 30 cada vez que vou a uma consulta médica, isso se for médico clínico geral. Especialistas o valor sobe para 40 dólares. A cada procedimento pago um porcentual do valor total. Nada é coberto integralmente pelo seguro.
Centenas de milhares de famílias vão completamente à falência todos os anos nos Estados Unidos. Não é pra menos. As contas hospitalares são absurdas. Ano passado estive hospitalizada com uma infecção renal por dois dias, o total chegou a 16 mil dólares. Neste caso, o plano usado era brasileiro e foi pago totalmente pela seguradora.
O presidente Obama já acenou algumas vezes que pretende tratar da reforma do sistema de saúde o quanto antes. As discussões ganharam pouco espaço na imprensa e aparentemente nada andou. Parece que você também já viu esse filme antes? É, as comparações às vezes servem pra observar que não importa o país, a regra ainda é defender os interesses financeiros de alguns em detrimento do direito à saúde de tantos.
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