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Dona Salvina

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Uma daquelas lembranças da infância. Daquelas que você nunca esquece e pouco fala, mas quando aparece a oportunidade e você finalmente comenta, é como se estivesse vivendo tudo outra vez e já não consegue mais apagar.

Da rua lá de casa, os vizinhos são a lembrança predileta. Dona Salvina foi uma delas. Umas duas ou três casas à esquerda estava a dela. A deles, porque ela tinha família, marido e filhos. Mas Dona Salvina é que é a estrela do meu filme.

Já estava com cabelos brancos a Dona Salvina. Pra mim ela nasceu assim. Combinava com ela e com os coques que usava o tempo todo. Eu nem sei direito o por que, mas eu frequentava muito a casa da Dona Salvina.

Brava que só ela, me deixava ficar por ali por horas a fio. Às vezes na sala, muitas outras na cozinha. Lembro de a minha mãe ter ido me chamar na Dona Salvina algumas vezes. Era sempre um lugar pra me procurar se não soubesse exatamente onde eu estava.

Dona Salvina morreu. Morreu faz um bom tempo e há muitos, muitos anos eu não falava nela. Talvez por ter sido criada longe de avós, talvez porque ela me deixava comer o que cozinhava, talvez porque Dona Salvina tenha sido encantadora e generosa, mas principalmente porque suas mãos me abençoavam de alguma maneira e essa é uma daquelas lembranças de infância que não se esquece jamais.