Afeganistão

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Sério mesmo, não suporto mais ouvir o noticiário americano.

Dia após dia tudo o que se vê e ouve é sobre o aumento ou não de tropas americanas no Afeganistão.

O umbigo americano está localizado no oriente médio e ninguém reparou!

Almoço de domingo

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E lá fomos nós comemorar! A idéia era almoçar fora. Sabe o almoço de domingo? Era o que eu queria.

Recriar momentos em outro país, de outra cultura, pode ser extremamente difícil, no meu caso, impossível. Esquece. Nem mesmo a churrascaria Fogo de Chão, uma cadeia brasileira, abre aos domingos para o almoço aqui no Arizona.

Planos por água a baixo a única esperança agora é a esperada família, que deve vir em novembro e dezembro.

Existem coisas maravilhosas aqui no Arizona, aqui nos Estados Unidos. Sei disso, reconheço, gosto e admiro. Acontece que sinto falta de ir a um restaurante aos domingos pra almoçar, comer devagar e apreciar o dia como se não houvesse fim.

O fato é que morro de saudades do Brasil. Simples assim!

Pontes

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Antes de mudar para os Estados Unidos tive várias conversas com amigos, clientes, chefes, familiares. Ainda lembro de cada uma delas, mas uma em particular me cutuca o tempo todo. A da ponte.

Mesmo mudando de mala e cuia para o Arizona para me casar, eu deveria, a todo custo, manter a conexão com as pessoas do meu país, com o meu universo profissional, a minha rede de contatos.

E assim eu tenho feito. Busco a todo instante me manter conectada ao Brasil. De uma forma ou de outra, naturalmente e sem esforço. Não tomo a iniciativa visando qualquer outra coisa que não o meu mais profundo prazer em manter as raízes. Sou brasileira e me sinto honrada de ter nascido e vivido naquele país. É o que faz de mim quem eu sou. É o que eu sou, brasileira!

Daí, hoje, quando eu pedia demissão de um trabalho que não me interessa mais, o chefe, americano, aborrecido provavelmente, diz que o motivo pelo qual eu não me sentia satisfeita ou identificada com o trabalho era porque eu não havia abandonado o meu país e as minhas paixões.

Oras, será mesmo preciso abandonar o Brasil e os meus interesses para trabalhar nos Estados Unidos? Me recuso a acreditar que sim. Aliás, comentário medíocre do meu ex-chefe. Eu simplesmente não suportava mais trabalhar com ele e ponto! Além disso, tenho outro emprego!

O que muitos americanos ainda precisam aprender é que não importa se moramos nos Estados Unidos, cada um de nós, imigrantes, carregamos conosco o nosso país, a nossa cultura e as nossas paixões. E essa bagagem deve ser vista como algo extremamente valioso. Os inteligentes assim percebem. É o que alguns chamam de globalização.

Futebol americano

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Quase dois anos depois e eu ainda não consigo apreciar a paixão nacional. Quer dizer, uma delas. O futebol americano, como conhecemos, é só no que esse povo fala.

E se vocês acham que é só a liga nacional, bem-vindos ao meu mundo. Tem muito mais! É futebol americano das universidades e das escolas também. É futebol americano de manhã, de tarde e de noite. Da escola, do estado e do país.

Fica fácil entender. Logo cedo, nas escolas, o esporte ganha um tom grandioso. Os campeonatos são televisionados, alguns em todo o país e é ali que a carreira milionária de um jogador profissional começa a se desenhar. Além da natural vontade de jogar, o atleta sente rapidamente o gosto da fama e do poder.

Outro dia meu marido comentava sobre a indústria do futebol americano das universidades, que concede a bolsa de estudos ao jogadores e faz fortunas a cada jogo sem dividir qualquer lucro com os atletas.

O que mais me chamou a atenção foi o intervalo no jogo para comercial de televisão. Isso mesmo. Existem intervalos durante os jogos destinados exclusivamente para as propagandas. Se você estiver no campo ouvirá o anúncio do intervalo e, em casa, entra no ar o comercial.

Pra mim, as calças justas são engraçadas, as pancadas são violentas e o jogo, muito demorado.

Revisora demitida

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Pura desculpa esfarrapada. Mas tudo bem. É pra justificar os erros de digitação e/ou de concordância.

O meu belo amado laptop, que tinha todas as versões de programas e sofwares em Português, foi para um buraco negro. A tela escureceu de vez. Uma tal luz de fundo queimou.

Resumo da ópera, tive de comprar um novo computador. Além de não ser o Windows XP que tinha no laptop e eu tanto gostava, nada tenho mais em Português. Nem mesmo a opção de instalar o idioma com esse tal Windows Vista em Inglês.

Não sei o que fazer. Mas continuarei postando mesmo sem conseguir usar aquela sensacional ferramenta de verificar a ortografia.

Espanhol brasileiro

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Como se não bastasse a falta de informação sobre o Brasil, ainda tem alguém mundo afora reforçando que o idioma falado no país é o Espanhol.

Outro dia foi o personagem da atriz Penolope Cruz num filme pra lá de bobo. Uma brasileira. Sim, claro! Apenas um exemplo entre tantas outras produções americanas por aí que eu já assisti do lado de cá, em que algum ator ou atriz hispânica representa um brasileiro sem sequer falar Português!

Mas o pior mesmo foi ontem. Animadamente, o senhor meu marido me chama para assistir o que ele pensava ser um filme brasileiro na HBO. Descobri hoje fuçando na web que Alice foi uma série produzida pela HBO Brasil, mas não achei o link para a página da produção.

O fato é que assistimos ao "filme" todo em Espanhol. A história brasileira, se passa no Brasil, com personagens brasileiros, atores e atrizes brasileiros, e eu tive de ler as legendas em Inglês e escutar os diálogos em Espanhol.

A Tacoma da Toyota

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Fusca, belina, chevete, fiat ou chevrolet, não sei, simplesmente não tenho a habilidade de gravar nomes de carro ou suas marcas. Um aqui outro ali ainda vai e talvez fosse mais fácil há 20 anos, quando poucos veículos eram lançados no mercado. Me lembro do Del Rey, da Ford?

O fato é que se já era difícil gravar e reconhecer os nomes dos carros no Brasil, agora piorou significativamente. Aqui nos Estados Unidos são centenas de fabricantes, marcas e modelos que não tenho nem idéia. Impossível pra mim!

Outro dia, papeando com uma cliente após uma reunião, ela comentava que estava em dúvida se ficava ou não com a Tacoma. O que? O que diachos é Tacoma? Veja bem, pronunciado em Inglês soa ainda mais estranho. Eu fiquei perdida, calada e a senhora insistia na conversa citando ainda um outro nome que sequer consigo lembrar. Só muito depois descobri que se tratava de carros e que Tacoma é uma camionete da Toyota. Sério?!!

Sai da frente que eu quero passar

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No fim da tarde o movimento é intenso no trânsito de Tempe. Aliás, em toda a grande Phoenix. Como no Brasil, é a hora do trabalhador voltar pra casa.

De repente um daqueles enormes caminhões do corpo de bombeiros - que eu só via em filmes - atravessa a avenida numa velocidade e agilidade só possível graças a regra, rigorosamente seguida pelos motoristas, de parar o carro à direita ou à esquerda das ruas liberando o tráfego.

É bonito de ver! Os carros todos encostam ao longo do meio fio. De um lado e de outro, os cruzamentos ficam liberados. Lembrei do sufoco das ambulâncias e bombeiros no Brasil.

O grito da saúde socialista

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A reforma do sistema de saúde americano, proposta pelo governo do atual presidente, Barack Obama, tem dado o que falar, gritar na verdade.

São centenas de "town meetings" ou audiências públicas e parte da população se mostra completamente revoltada. As discussões são intensas e os marqueteiros de plantão já dizem que Obama está perdendo essa guerra.

O que eu acho curioso é que a educação americana é pública e gratuita. Pelo menos até o ingresso na universidade, essa absurdamente cara, mesmo nas instituições ditas públicas.

Em vários casos, as escolas públicas são sinônimo de desperdício e descaso. Mas oferecer um sistema de saúde mais justo aos mais necessitados é absurdo.

Tem horas que realmente não entendo. Os discursos são apelativos, sem sentido lógico, apaixonados, religiosos, preconceituosos e beiram o ridículo. O jeito deve ser mesmo ganhar no grito!

Comunicação truncada

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Eu sou muito grossa. Bem, isso eu já sabia, me contaram. Mas em Português não parecia tão mal assim.

É impressionante como a mudança do idioma faz essa diferença toda. Tá bom, a delicadeza é que não faz parte do meu vocabulário. Nunca fez. Verdade seja dita. Mas em Inglês tudo soa mil vezes pior, acredite.

A minha desculpa sempre foi dizer que eu estava sendo direta, sincera, verdadeira, autêntica, seja lá qual for o adjetivo, eu usava para me justificar.

Apesar de ter ido parar na universidade e estudando comunicação/jornalismo, e tenha trabalhado todos esses últimos 15 anos na área, o fato é que me comunico mal, ou pelo menos em Inglês!

Essa coisa de florear e fazer rodeios nunca foi minha praia e tenho apanhado horrores. Do lado de cá é o que eu mais tenho notado. As pessoas tomam o maior cuidado do mundo para se expressar, emitir uma opinião qualquer. Isso quando de fato dizem o que pensam! Ou quando dizem o que de fato pensam!

A real é que estou tendo de me virar para aprender a ter esse cuidado, acabar com a comunicação truncada. No auge dos meus 40 e uns anos, confesso que tenho tido pouca paciência. Mas, daí, é só mais uma desculpa!

Visita ilustre

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O "cara" daqui está na cidade, ou melhor, no estado, desde ontem. Chegou no fim do dia e trouxe na bagagem mulher e filhas. É uma viagem da "Primeira Família" como dizem do lado de cá.

Os Obamas jantaram num restaurante mexicano, onde, em minha opinião, servem a melhor margarita do mundo! Talvez por isso Obama tenha ido.

Hoje foi dia de passear pelo Grand Canyon, uma das oito maravilhas, é o destino de quase cinco milhões de turistas todos os anos. Os que visitavam o parque hoje tiveram de ter paciência e praticamente não viram nada, o acesso foi restrito.

O presidente americano veio a Phoenix para o encontro anual de um grupo de veteranos de guerras estrangeiras (traduzindo mais ou menos). A organização reúne aproximadamente um milhão e meio de membros em todo o país, mas só 13 mil devem receber Obama amanhã. São os vips da corporação.

Mas eu estarei ocupada e tive de recusar o convite!

Água e cafezinho

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Apesar de achar algumas coisas aqui no Arizona iguais as do Brasil ou Brasília, minha cidade querida, confesso que outras são completamente diferentes.

De reunião em reunião na grande Phoenix, comecei a reparar os hábitos locais. Aquela coisa maravilhosa de alguém servir água e cafezinho em reunião, não existe do lado de cá.

Executivos, advogados, marqueteiros, seja lá quem for participar da reunião, carrega consigo o próprio café e/ou água. Normalmente em um daqueles copos descartáveis ou garrafas de plástico.

A desatenta e viciada aqui, sempre esperando alguém oferecer um café, terá de aprender a fazer como os americanos fazem. Passam no "drive-thru" antes da reunião!

Reflexos de vizinhança

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Viver em comunidade às vezes dá nos nervos. Me lembro de uma certa vizinha em Brasília que soltava o cachorro para caminhar sozinho pela rua fazendo cocô na entrada da garagem dos outros, da minha! Certo dia resolvi coletar as fezes do cachorro alheio. Acumulei um saco de cocô e fui até a casa dela devolver o que não me pertencia.

Agora a situação é um pouco diferente. As casas aqui no Arizona têm uma ruela nos fundos, que dá acesso ao quintal das residências. É o acesso do lixeiro, do leitor da energia elétrica, etc.

Eis que alguns vizinhos resolveram fazer da "alley", a tal ruela, o depósito da vizinhança. Impressionante. Vários objetos podem ser encontrados. Sofás, colchões, cadeiras, par de tênis semi-novos, estantes, roupas, mesas, livros, garrafas e por aí vai.

Da primeira vez que morei aqui nos Estados Unidos, há 17 anos, encontrei uma televisão no lixo. A prática de simplesmente jogar fora, apesar da recessão que passa o país, continua. É o conceito do desperdício a todo vapor.

Vizinhos. Não só fazem da ruela pública e comum a todos nós da vizinhança, um depósito, mas ao fazer isso esbofeteiam a todos com o descaso ao excesso.

Fora de mim

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Não, não foi abandono. Pelo menos não proposital. Os acontecimentos do último mês mexeram com cada poro meu.

Quase voltei para morar no Brasil, para minha Brasília querida. Para os meus filhos, minha família, minha família de amigos queridos de quem tanto sinto falta.

E como essas decisões são, enquanto duram, eternas, fiquei eternamente, enquanto durou, perturbada.

Me partiu o coração não ter aceitado a oportunidade de voltar pro Brasil e por isso me perdi por uns tempos nas dores do peito que não me saiam da cabeça.

O processo de cura é lento, mas já me sinto um pouco mais forte pra me permitir de novo.

Coxinhas e pasteis

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Vivo tentando encontrar restaurantes, bares e supermercados que vendam produtos brasileiros. É a saudade que ataca forte vez por outra.

Outro dia, estávamos em San Diego e a procura, quase obsessiva, por um pedaço do Brasil em território americano, durou horas e terminou com um risoles de palmito horroroso, uma coxinha pura massa e meio crua e uns pasteis sem gosto.

Se a comunidade brasileira em San Diego é gigantesca, eu imaginava que seria mais fácil encontrar comidinha brasileira por lá, do que aqui no Arizona, onde moro. Ledo engano e total decepção.

Serviço ruim, comida pior ainda. Ai que saudade do Brasil!

Proposta de casamento

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Vai um Jeep Wrangler 1992 de graça aí? Só casando. A idéia é de Kelly O'very, 38, de Salt Lake City, no estado de Utah. A procura da sua cara metade, ela oferece o carro em troca de casamento.

O anúncio é real e a moça já recebeu centenas de e-mails de pessoas interessadas nela e no carro, claro!

Interessados escrever para : wedding.jeep@hotmail.com

Sarah Palin x Michael Jackson

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Ainda bem que a Sarah Palin renunciou ao cargo de governadora do Alaska, assim divide um pouco, só um pouco, os holofotes e as manchetes, com o morto Michael Jackson, que eu já não aguento mais ouvir falar!