Como se não bastasse a falta de informação sobre o Brasil, ainda tem alguém mundo afora reforçando que o idioma falado no país é o Espanhol.
Outro dia foi o personagem da atriz Penolope Cruz num filme pra lá de bobo. Uma brasileira. Sim, claro! Apenas um exemplo entre tantas outras produções americanas por aí que eu já assisti do lado de cá, em que algum ator ou atriz hispânica representa um brasileiro sem sequer falar Português!
Mas o pior mesmo foi ontem. Animadamente, o senhor meu marido me chama para assistir o que ele pensava ser um filme brasileiro na HBO. Descobri hoje fuçando na web que Alice foi uma série produzida pela HBO Brasil, mas não achei o link para a página da produção.
O fato é que assistimos ao "filme" todo em Espanhol. A história brasileira, se passa no Brasil, com personagens brasileiros, atores e atrizes brasileiros, e eu tive de ler as legendas em Inglês e escutar os diálogos em Espanhol.
Fusca, belina, chevete, fiat ou chevrolet, não sei, simplesmente não tenho a habilidade de gravar nomes de carro ou suas marcas. Um aqui outro ali ainda vai e talvez fosse mais fácil há 20 anos, quando poucos veículos eram lançados no mercado. Me lembro do Del Rey, da Ford?
O fato é que se já era difícil gravar e reconhecer os nomes dos carros no Brasil, agora piorou significativamente. Aqui nos Estados Unidos são centenas de fabricantes, marcas e modelos que não tenho nem idéia. Impossível pra mim!
Outro dia, papeando com uma cliente após uma reunião, ela comentava que estava em dúvida se ficava ou não com a Tacoma. O que? O que diachos é Tacoma? Veja bem, pronunciado em Inglês soa ainda mais estranho. Eu fiquei perdida, calada e a senhora insistia na conversa citando ainda um outro nome que sequer consigo lembrar. Só muito depois descobri que se tratava de carros e que Tacoma é uma camionete da Toyota. Sério?!!
No fim da tarde o movimento é intenso no trânsito de Tempe. Aliás, em toda a grande Phoenix. Como no Brasil, é a hora do trabalhador voltar pra casa.
De repente um daqueles enormes caminhões do corpo de bombeiros - que eu só via em filmes - atravessa a avenida numa velocidade e agilidade só possível graças a regra, rigorosamente seguida pelos motoristas, de parar o carro à direita ou à esquerda das ruas liberando o tráfego.
É bonito de ver! Os carros todos encostam ao longo do meio fio. De um lado e de outro, os cruzamentos ficam liberados. Lembrei do sufoco das ambulâncias e bombeiros no Brasil.
A reforma do sistema de saúde americano, proposta pelo governo do atual presidente, Barack Obama, tem dado o que falar, gritar na verdade.
São centenas de "town meetings" ou audiências públicas e parte da população se mostra completamente revoltada. As discussões são intensas e os marqueteiros de plantão já dizem que Obama está perdendo essa guerra.
O que eu acho curioso é que a educação americana é pública e gratuita. Pelo menos até o ingresso na universidade, essa absurdamente cara, mesmo nas instituições ditas públicas.
Em vários casos, as escolas públicas são sinônimo de desperdício e descaso. Mas oferecer um sistema de saúde mais justo aos mais necessitados é absurdo.
Tem horas que realmente não entendo. Os discursos são apelativos, sem sentido lógico, apaixonados, religiosos, preconceituosos e beiram o ridículo. O jeito deve ser mesmo ganhar no grito!
Eu sou muito grossa. Bem, isso eu já sabia, me contaram. Mas em Português não parecia tão mal assim.
É impressionante como a mudança do idioma faz essa diferença toda. Tá bom, a delicadeza é que não faz parte do meu vocabulário. Nunca fez. Verdade seja dita. Mas em Inglês tudo soa mil vezes pior, acredite.
A minha desculpa sempre foi dizer que eu estava sendo direta, sincera, verdadeira, autêntica, seja lá qual for o adjetivo, eu usava para me justificar.
Apesar de ter ido parar na universidade e estudando comunicação/jornalismo, e tenha trabalhado todos esses últimos 15 anos na área, o fato é que me comunico mal, ou pelo menos em Inglês!
Essa coisa de florear e fazer rodeios nunca foi minha praia e tenho apanhado horrores. Do lado de cá é o que eu mais tenho notado. As pessoas tomam o maior cuidado do mundo para se expressar, emitir uma opinião qualquer. Isso quando de fato dizem o que pensam! Ou quando dizem o que de fato pensam!
A real é que estou tendo de me virar para aprender a ter esse cuidado, acabar com a comunicação truncada. No auge dos meus 40 e uns anos, confesso que tenho tido pouca paciência. Mas, daí, é só mais uma desculpa!
O "cara" daqui está na cidade, ou melhor, no estado, desde ontem. Chegou no fim do dia e trouxe na bagagem mulher e filhas. É uma viagem da "Primeira Família" como dizem do lado de cá.
Os Obamas jantaram num restaurante mexicano, onde, em minha opinião, servem a melhor margarita do mundo! Talvez por isso Obama tenha ido.
Hoje foi dia de passear pelo Grand Canyon, uma das oito maravilhas, é o destino de quase cinco milhões de turistas todos os anos. Os que visitavam o parque hoje tiveram de ter paciência e praticamente não viram nada, o acesso foi restrito.
O presidente americano veio a Phoenix para o encontro anual de um grupo de veteranos de guerras estrangeiras (traduzindo mais ou menos). A organização reúne aproximadamente um milhão e meio de membros em todo o país, mas só 13 mil devem receber Obama amanhã. São os vips da corporação.
Mas eu estarei ocupada e tive de recusar o convite!
Apesar de achar algumas coisas aqui no Arizona iguais as do Brasil ou Brasília, minha cidade querida, confesso que outras são completamente diferentes.
De reunião em reunião na grande Phoenix, comecei a reparar os hábitos locais. Aquela coisa maravilhosa de alguém servir água e cafezinho em reunião, não existe do lado de cá.
Executivos, advogados, marqueteiros, seja lá quem for participar da reunião, carrega consigo o próprio café e/ou água. Normalmente em um daqueles copos descartáveis ou garrafas de plástico.
A desatenta e viciada aqui, sempre esperando alguém oferecer um café, terá de aprender a fazer como os americanos fazem. Passam no "drive-thru" antes da reunião!
Viver em comunidade às vezes dá nos nervos. Me lembro de uma certa vizinha em Brasília que soltava o cachorro para caminhar sozinho pela rua fazendo cocô na entrada da garagem dos outros, da minha! Certo dia resolvi coletar as fezes do cachorro alheio. Acumulei um saco de cocô e fui até a casa dela devolver o que não me pertencia.
Agora a situação é um pouco diferente. As casas aqui no Arizona têm uma ruela nos fundos, que dá acesso ao quintal das residências. É o acesso do lixeiro, do leitor da energia elétrica, etc.
Eis que alguns vizinhos resolveram fazer da "alley", a tal ruela, o depósito da vizinhança. Impressionante. Vários objetos podem ser encontrados. Sofás, colchões, cadeiras, par de tênis semi-novos, estantes, roupas, mesas, livros, garrafas e por aí vai.
Da primeira vez que morei aqui nos Estados Unidos, há 17 anos, encontrei uma televisão no lixo. A prática de simplesmente jogar fora, apesar da recessão que passa o país, continua. É o conceito do desperdício a todo vapor.
Vizinhos. Não só fazem da ruela pública e comum a todos nós da vizinhança, um depósito, mas ao fazer isso esbofeteiam a todos com o descaso ao excesso.
Não, não foi abandono. Pelo menos não proposital. Os acontecimentos do último mês mexeram com cada poro meu.
Quase voltei para morar no Brasil, para minha Brasília querida. Para os meus filhos, minha família, minha família de amigos queridos de quem tanto sinto falta.
E como essas decisões são, enquanto duram, eternas, fiquei eternamente, enquanto durou, perturbada.
Me partiu o coração não ter aceitado a oportunidade de voltar pro Brasil e por isso me perdi por uns tempos nas dores do peito que não me saiam da cabeça.
O processo de cura é lento, mas já me sinto um pouco mais forte pra me permitir de novo.
Vivo tentando encontrar restaurantes, bares e supermercados que vendam produtos brasileiros. É a saudade que ataca forte vez por outra.
Outro dia, estávamos em San Diego e a procura, quase obsessiva, por um pedaço do Brasil em território americano, durou horas e terminou com um risoles de palmito horroroso, uma coxinha pura massa e meio crua e uns pasteis sem gosto.
Se a comunidade brasileira em San Diego é gigantesca, eu imaginava que seria mais fácil encontrar comidinha brasileira por lá, do que aqui no Arizona, onde moro. Ledo engano e total decepção.
Serviço ruim, comida pior ainda. Ai que saudade do Brasil!
Vai um Jeep Wrangler 1992 de graça aí? Só casando. A idéia é de Kelly O'very, 38, de Salt Lake City, no estado de Utah. A procura da sua cara metade, ela oferece o carro em troca de casamento.
O anúncio é real e a moça já recebeu centenas de e-mails de pessoas interessadas nela e no carro, claro!
Interessados escrever para : wedding.jeep@hotmail.com
Ainda bem que a Sarah Palin renunciou ao cargo de governadora do Alaska, assim divide um pouco, só um pouco, os holofotes e as manchetes, com o morto Michael Jackson, que eu já não aguento mais ouvir falar!
Dividida nada. Desigual. Afinal, sou minoria aqui na terra do Tio Sam.
Enquanto os Estados Unidos ganhava tudo ia muito bem. Eu meio jururu, mas acreditando que deveria ganhar o melhor time, até então o americano.
No segundo tempo o tempo mudou. Os americanos aqui em casa foram aos poucos ficando bravos, furiosos, sem graça e mudos.
Timidamente acenei a minha bandeirinha do Brasil, fiz alguns comentários tentando incentivar o time americano, mas era tarde. Saí de fininho da sala de tevê, afinal, o time do meu país ganhou!
A caminho da Copa do Mundo no ano vem, a África do Sul enfrenta agora o maior dilema de todos. Banir ou não o uso das cornetas nos estádios de futebol.
O jogo de logo mais entre Brasil e Estados Unidos encerra a Copa das Confederações, mas nem de perto chama a atenção que a controvérsia em torno da corneta. Entre os blogs da África do Sul, esse assunto parece ter tomado conta das discussões, segundo o jornal Los Angeles Times de hoje.
Não consigo imaginar um jogo de futebol sem as tais cornetas de plástico entoando aquele barulho infernal. Mas foi engraçado quando li a reportagem hoje e lembrei imediatamente do comentário do senhor meu marido há alguns dias. Assistíamos ao jogo de Brasil e África do Sul e lá pelas tantas ele me perguntou que barulheira era aquela, se aquilo não parava nunca. É, talvez um dia!
1 - Por quê o legislativo do Arizona aprovou, sexta-feira, no final do expediente, lei que permite portar armas em restaurantes e bares onde é servida bebida alcoólica?
a) porque somente em estabelecimentos assim, o cidadão vai precisar usar o revólver para defender sua cerveja;
b) porque os legisladores estavam atrasados para o happy hour com suas armas;
c) porque é perfeita a combinação álcool e armas. Todo mundo sabe disso.
2 - Por quê o legislativo do Arizona aprovou, no mesmo expediente que o da lei anterior, a lei que obriga a polícia local a agir como oficiais federais em casos de imigração?
a) porque os custos por preso são baixos e as cadeias estão vazias precisando de mais ocupação;
b) porque não há crimes no estado, deixando os policiais ociosos;
c) porque, afinal de contas, imigrante ilegal é bandido mesmo.
3 - Por quê o superintendente das escolas públicas do Arizona quer aprovar uma nova lei que bane os cursos étnicos nas escolas?
a) porque ele pode;
b) porque estudos sobre a raça negra ou justiça social para minorias é irrelevante;
c) porque etnias como as asiáticas e hispânicas não enriquecem a cultura americana.
A previsão é de confusão. É que a partir de hoje aqui nos Estados Unidos as emissoras de televisão do país param de transmitir em sinal analógico.
A estimativa é de que pelo menos 1 milhão de lares ainda não estejam preparados e devam ficar sem conseguir assistir televisão.
Bem-vindos a era digital.
O tiroteio ontem no Museu do Holocausto, um dos lugares mais visitados por turistas em Washington D.C., reascendeu a discussão sobre os crimes de ódio nos Estados Unidos.
Um homem de 88 anos, que faz parte de grupos da supremacia branca, conspiração contra minorias e negros, entrou atirando no museu, acertando fatalmente um dos vigias.
Segundo relatório do FBI, em 2007, quase 10 mil pessoas foram vítimas de crimes cujo motivo foi o preconceito. Em todo o país, os crimes de discriminação racial, contra negros, são os de maior ocorrência, seguidos por religião, orientação sexual e etnia.
Aqui no Arizona, onde moro, com uma população de quase 40% de origem hispânica, é o preconceito étnico que assola o estado. Tenho muita dificuldade em entender os extremismos, os radicais e a deslealdade com que machucam pessoas, instituições e sociedades simplesmente por serem o que são.
5