Só agora, depois de um ano morando em Tempe, na grande Phoenix, começo a de fato andar pela cidade. De bicicleta, de metrô e a pé. Mas confesso que tenho preferência pela bike e pelo light rail.
Nas pedaladas, descubro as folhas no chão e a grama molhada que, num descuido de quem é inexperiente, me joga na calçada. A bicicleta, se o destino parecer estar no fim do mundo, pode ser levada dentro do metrô ou nos racks, na frente dos ônibus. Se o clima por aqui fosse sempre assim, fresquinho, adotaria as duas rodas como meu mais novo meio de transporte. Sem dúvida.
Agora, o light rail ou metrô tem sido mesmo uma experiência e tanto. Parece uma festa. As pessoas conversam. Isso mesmo. Todo mundo fala com todo mundo, puxa conversa e aja papo! O que tem de gente entusiasmada! É sensacional.
De casa para a biblioteca ou para a aula de yôga, nada de carro. Para o centro vou de metrô. E o bom mesmo é um passeio pelo centro histórico de Tempe! De todas as descobertas, o mais incrível foi descobrir que eu posso. Sim, eu posso simplestemente andar por aí e descobrir beleza onde eu achava que não havia nenhuma.
A cidade tem um metrô. É novo. Foi inaugurado no finalzinho de dezembro do ano passado. Eu nem tinha aproveitado ele ainda. O sistema é integrado e realmente funciona bem.
Tem sido perfeito para mim e milhares de pessoas que vão para o centro da cidade. A gente sai de casa de carro, mas o estaciona em um estacionamento gratuito em frente a estação mais próxima, a uns 10 minutos.
Tem gente que vai de bicicleta e a carrega no metrô. Nos trens há lugar pra tudo. Cadeiras de rodas, patinetes e bicicletas também tem seu lugar garantido. O metrô é de superfície. A vantagem é poder ver a cidade enquanto se vai de um lado a outro.
O mais interessante, entretanto, é a forma da cobrança. Não há. As estações são totalmente abertas e ao lado existem as máquinas, como aquelas de sacar dinheiro, onde se compra o passe do metrô. As opções de comprar um passe para o dia todo ou só de ida ou de ida e volta estão logo a vista. É fácil comprar o passe e você pode usar o seu cartão de débito ou crédito, se estiver sem dinheiro em mãos.
Depois de comprar o passe, você pode guardá-lo na bolsa, no bolso da calça, na meia, no boné e onde bem entender. É o cúmulo da confiança! Ninguém pede para ver o passe, não há onde colocar o passe para entrar no trem. E daí fiquei com aquela impressão ... de que alguém poderia ir e vir no metrô o dia todo de graça! Será?
Listas e mais listas. A da vez enumera as dez melhores cidades americanas para morar. As piores e as consideradas mais chatas. O estado do Arizona, onde moro, tem cidades em duas das listas.
A vizinha Mesa, onde dei à luz a minha filha há 19 anos e me trouxe também muitos momentos felizes, foi considerada pela Forbes a cidade mais chata da América. Por essa eu não esperava! Além disso, duas cidades aqui do lado, Chandler e Gilbert, estão em segundo e terceiro lugar na lista das cidades mais chatas do país!
Pra não me sentir totalmente arrasada pela redondeza, continuei na busca e encontrei uma pesquisa das dez melhores e piores cidades para morar dos Estados Unidos. Lá dei de cara com a capital do Arizona, Phoenix, entre as primeiras colocadas onde os americanos pesquisados preferem morar.
A pesquisa agradou ainda mais quando vi que Phoenix, não só está entre as dez cidades preferidas para se morar, como tem quatro cidades vizinhas entre as primeiras colocadas na lista!
Não sei o que é com essa região do lado de cá, mas acabei voltando.
A disputa acirrada entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos colocou o Arizona no mapa do país.
Não só porque o senador John McCain é morador do estado, mas pela possibilidade de no fim do dia ver um estado historicamente republicano se tornar democrata.
Se o senador Barack Obama ganhar as eleições nesta terça-feira aqui no Arizona...será devastador para John McCain. Nem mesmo torcendo para a vitória de Obama, desejo que McCain perca em casa por perder.
Entretanto, como imigrante morando aqui pela segunda vez, percebo os rumos políticos e sociais do estado mudando, o que considero positivo. Há 20 anos, quando primeiro morei aqui, sentia uma sociedade ainda mais conservadora. Ao longo dos anos, imigrantes de várias partes do mundo, americanos de outros lados e até os "californianos loucos", como Wes Gullett, um dos coordenadores da campanha de John McCain no Arizona descreve, mudaram pra cá e transformaram a cara desse lugar.
É essa diversidade, a mistura de povos e culturas que enriquecem a essa cidade e talvez mude o quadro político partidário, o que pode ser bom, muito bom.
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